Evento · Transação
Aporte de R$ 15,447 milhões do FGC na compra de participação no Máxima
Descrição
Os votos do Banco Central registram, segundo a reconstituição publicada a partir dos extratos obtidos pelo Valor Econômico, aporte de R$ 15,447 milhões do Fundo Garantidor de Créditos em dezembro de 2017 para a compra de participação no banco. Verificação posterior da equipe enfraqueceu o registro: o número aparece em um único veículo e não é reproduzido pelas demais coberturas dos mesmos votos, que listam outros valores sem mencionar o FGC. Permanece sem esclarecimento qual teria sido o instrumento e quais as condições. Registre-se, porém, que o Estatuto do FGC vigente à época previa expressamente operações de assistência financeira a instituições associadas e a seus acionistas controladores, inclusive para promover transferência de controle acionário — de modo que apoio do fundo nessa operação não seria, por si só, atípico. Há ainda notícia de um empréstimo emergencial distinto, de R$ 20 milhões a R$ 30 milhões, concedido pelo FGC ao Máxima em 2019; nenhuma fonte localizada reconcilia os dois números.
Participantes3
Evidências4
- AAlegação
Segundo os votos do Banco Central, em dezembro de 2017 Daniel Vorcaro recebeu aporte de R$ 15,447 milhões do Fundo Garantidor de Créditos para comprar participação no banco. Verificação posterior da equipe: o dado consta de um único veículo e não é reproduzido pelas demais coberturas dos mesmos votos; ver ev-aporte-fgc-2017-fonte-unica-nao-corroborada.
Atribuída a: Valor Econômico, a partir de extratos dos votos BCB 20/2019 e 218/2019 obtidos via Lei de Acesso à Informação
- AAlegação
Tentativa de verificação do aporte de R$ 15,447 milhões atribuído ao FGC em dezembro de 2017: o número aparece em um único veículo — Let's Money, em 20/04/2026 —, que o atribui aos votos do Banco Central obtidos pelo Valor Econômico via Lei de Acesso à Informação. As demais coberturas dos mesmos votos, publicadas na mesma época, não reproduzem esse dado: a versão distribuída pela Folhapress descreve a mesma triangulação com outros valores (R$ 40 milhões pela compra das ações de Sabbá, além de R$ 48,1 milhões, R$ 22,5 milhões, R$ 70 milhões e R$ 30 milhões) e não menciona o FGC. A equipe não localizou a íntegra dos votos BCB 20/2019 e 218/2019 — o Banco Central divulgou apenas extratos, com trechos sob tarja —, nem manifestação do FGC, do BC ou da defesa de Vorcaro sobre esse aporte específico. O registro permanece, portanto, como alegação de fonte única não corroborada.
Atribuída a: Let's Money, atribuindo o dado a votos do Banco Central obtidos pelo Valor Econômico via LAI; não replicado por outros veículos que cobriram os mesmos votos
- DDocumental direto
O Estatuto do FGC vigente em dezembro de 2017 (Anexo I da Resolução CMN nº 4.222/2013, com redação dada pela Resolução nº 4.469, de 25/2/2016) previa expressamente, no art. 4º, que integra o objeto do fundo a contratação de operações de assistência ou de suporte financeiro, inclusive de liquidez, com instituições associadas — diretamente ou por intermédio de empresas por estas indicadas — e 'inclusive com seus acionistas controladores'. O § 1º admitia que essas operações fossem contratadas 'inclusive, com o objetivo de promover a transferência de controle acionário'. Ou seja: apoio financeiro do FGC a um banco associado, e mesmo a seus controladores, com a finalidade de viabilizar troca de controle, não é, por si só, instrumento atípico nem irregular — é hipótese expressa da norma, com limites quantitativos definidos no § 2º (teto do valor projetado dos instrumentos garantidos da associada, 25% do patrimônio líquido do FGC por associada ou conglomerado e 50% para o conjunto das operações). A equipe leu o texto consolidado da resolução diretamente no sistema de normativos do Banco Central.
Integra também o objeto do FGC (...) a contratação de operações de assistência ou de suporte financeiro, incluindo operações de liquidez com as instituições associadas (...) inclusive com seus acionistas controladores.
- AAlegação
O FGC concedeu ao Banco Máxima, em 2019, empréstimo emergencial de entre R$ 20 milhões e R$ 30 milhões, como parte da operação que viabilizou a troca de controle da instituição. O pedido inicial seria de cerca de R$ 100 milhões, reduzido a cerca de um quinto após problemas com imóveis oferecidos em garantia pela família Vorcaro. Segundo o FGC, o empréstimo foi quitado regularmente e não se destinava a financiar a aquisição do banco, mas a socorrer instituição em dificuldades: 'o FGC não concede crédito com finalidade de compra'. É operação distinta, em valor e em data, do aporte de R$ 15,447 milhões atribuído ao fundo em dezembro de 2017 — nenhuma fonte localizada reconcilia os dois números.
O FGC não concede crédito com finalidade de compra.
Atribuída a: Reportagem de janeiro de 2026 acessada por republicadores (MSN e Brasil 247); veículo de origem não identificado com segurança
Documentos1
Fontes3
- Vorcaro tentou comprar Máxima com dinheiro do próprio bancoLet's Money · 20/04/2026Imprensa✓ verificadaoriginal ↗
- Resolução CMN nº 4.222, de 23 de maio de 2013 — texto consolidado, com o Anexo I (Estatuto do FGC)Banco Central do Brasil — Sistema de Normativos · 23/05/2013Fonte oficial✓ verificadaoriginal ↗
- FGC apoiou compra de banco que deu origem ao Master em 2019MSN / Brasil 247 (republicação) · jan/2026Imprensa✓ verificadaoriginal ↗
Posição dos envolvidos
Posição não localizada no corpus até a última atualização.
Antes e depois
Eventos, atos públicos e transações do corpus até 90 dias antes e depois desta data.
Proximidade temporal não implica causalidade. Esta seção lista apenas o que o corpus registra perto da data, para que o leitor investigue por conta própria.
Antes
até 90 dias antes
- 77 d · 15/09/2017Contrato de compra de 56,87% do Máxima por R$ 40 milhões, dos quais R$ 4 milhões em espécieEventoAAlegação
Depois
Nada registrado no corpus nesta janela.