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Documento · Relatório oficial

Representação da Polícia Federal na 9ª fase da Operação Compliance Zero (98 páginas)

31/07/2026Representação da PF — INQ 5026 / PET 16.032Documento oficialemissor: Polícia Federalabrir original ↗

Resumo

Representação lida na íntegra pela equipe. Documenta a transferência de R$ 3,5 milhões de 17/10/2025 com comprovante bancário, registra a constituição da BN Financeira em 08/07/2021 com capital de R$ 45 mil, e consigna expressamente que o total de repasses às empresas vinculadas ao núcleo familiar do senador é maior que a transferência tratada e possivelmente desconhecido. Ao datar a contratação em 2022 e descrever o objeto contratual, remete em nota de rodapé a reportagem de imprensa e a declarações atribuídas ao sócio da empresa — e não a contratos. Mesmo PDF registrado também como doc-2026-07-representacao-pf-inq-5026-pet-16032 e doc-pf-relatorio-wagner-2026-07 (duplicidade anotada no lote 323).

As anotações apontam que o total de repasses às empresas vinculadas ao núcleo familiar do Senador JAQUES WAGNER são maiores do que a transferência tratada. Possivelmente outras operações foram realizadas.

Evidências que este documento sustenta8

  • DDocumental diretoPerfil cadastral da BN Financeira Ltda., conforme dados abertos da Receita Federal: aberta em 08/07/2021, microempresa, capital social de R$ 45.000,00, situação ativa, sede em sala de edifício comercial em Salvador. O CNAE principal é 6399-2/00, outras atividades de prestação de serviços de informação, e entre os secundários consta 6619-3/02 — correspondentes de instituições financeiras. O quadro societário registra Bonnie Toaldo Bonilha como sócia-administradora desde a constituição e o advogado Moisés Dantas dos Santos como sócio desde 30/08/2022; um terceiro sócio deixou a empresa em novembro de 2024. Nenhum membro da família do senador Jaques Wagner integra o quadro societário — nem ele, nem o enteado. O vínculo formal mais próximo é indireto: segundo base de agregador, o enteado Eduardo Mendonça Sodré Martins foi sócio do escritório do advogado que depois entrou na BN Financeira.
  • DDocumental diretoAchado metodológico relevante para avaliar o lastro da imputação. A representação da Polícia Federal, ao datar a contratação em 2022 e descrever o objeto contratual, remete em nota de rodapé a uma reportagem de imprensa e a declarações atribuídas ao próprio sócio da empresa — e não a contratos. Ou seja: o documento oficial e a matéria jornalística não são fontes independentes uma da outra quanto a esses pontos, e o valor de R$ 11 milhões não ganhou lastro documental ao entrar nos autos. Isso não invalida a hipótese policial: o que a PF tem de documental próprio é o comprovante da transferência de outubro de 2025, planilhas apreendidas e extrações de celular. Mas obriga a distinguir, no registro, o que a investigação demonstra do que ela reproduz.
  • DDocumental diretoSegundo a representação da PF da 9ª fase, depois da primeira fase da Compliance Zero Guilherme Henrique Sodré Martins foi interlocutor do advogado Daniel Lopes Monteiro nas tratativas sobre o apartamento do Poème Horto: reunião no escritório de Monteiro em 25/11/2025, pedido de encontro em 04/12/2025, a mensagem de 18/12/2025 "A altura do vão é 2,45m", respondida com "Perfeito", que a PF lê como referência ao valor de R$ 2,45 milhões do imóvel, e, em 2026, o envio de minuta de venda dos direitos sobre a unidade.
  • DDocumental diretoSegundo a representação da PF da 9ª fase, em 21/11/2025, três dias após a primeira fase da Compliance Zero, Daniel Lopes Monteiro falou por 17min29s com o contato "AK", atribuído a André Kruschewsky Lima, "que foi diretor jurídico do BANCO MASTER", e em seguida André enviou a Monteiro o telefone de Guilherme Sodré.
  • DDocumental diretoSegundo a representação da PF da 9ª fase, em conversa com Daniel Vorcaro sobre o banco ser visto como próximo do governo, Fernando de Goes Mascarenhas Filho, diretor comercial do Banco Master, escreveu "vou mandar então pra tio guiga e Jaques", que a PF interpreta como referência direta a Guilherme Sodré Martins e ao senador Jaques Wagner.
  • DDocumental diretoSegundo a representação da PF da 9ª fase, em 23/12/2024 a secretária de Augusto Lima encaminhou foto de embalagens de um empório com bilhetes "De: Guga" "Para: JAQUES" e "De: Guga" "Para: Tio Guiga", o que a PF lê como presentes enviados simultaneamente ao senador e a Guilherme Sodré, incluindo vinhos avaliados entre R$ 2.500 e R$ 5.300.
  • DDocumental diretoA representação da PF de 98 páginas no INQ 5026/PET 16.032 afirma que, "pelo que consta nos diálogos, os primeiros contatos entre o Senador e DANIEL VORCARO foram intermediados por GUILHERME HENRIQUE SODRÉ MARTINS, conhecido pelo apelido Tio Guiga, reconhecido pelo próprio Senador JAQUES WAGNER como seu melhor amigo", que em 19/06/2024 enviou mensagens a Vorcaro "apresentando-se como Guiga e colocando-se à disposição". A PF o descreve como "intermediário historicamente vinculado ao Senador" e pai do enteado de Wagner.
  • DDocumental diretoOs valores que circulavam não se contradizem — medem coisas diferentes. R$ 3,5 milhões é uma transferência única e datada: a decisão do STF registra que 'em 17/10/2025, a operação foi concluída com transferência de R$ 3.500.000,00 à BN FINANCEIRA LTDA.' pela PKL One Participações, com comprovante bancário nos autos. R$ 11 milhões é o acumulado alegado pela imprensa para o período de 2022 a 2025, e é compatível com os autos, porque a própria PF consigna que 'o total de repasses às empresas vinculadas ao núcleo familiar do Senador JAQUES WAGNER são maiores do que a transferência tratada' e que 'possivelmente outras operações foram realizadas'. Já o número de R$ 5,5 milhões, que circulou em ao menos um veículo, NÃO existe nos documentos: a busca literal na decisão e na representação não retorna nenhuma ocorrência. É quase certamente a soma da transferência de R$ 3,5 milhões com R$ 2,34 milhões que a PF descreve como pagos ao enteado do senador — pessoa física, e não à empresa. O corpus não adota esse número.

Onde este documento é usado

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