Documento · Extração pericial
IPJ-A nº 1020625/2026 — análise do celular apreendido com Daniel Vorcaro
Resumo
Análise de 126 páginas do conteúdo do iPhone apreendido com Daniel Vorcaro na 1ª fase da Compliance Zero. Além dos diálogos com Luiz Phillipi Mourão que sustentam os capítulos já conhecidos da investigação, traz as anotações do aplicativo "Notas" do próprio investigado — incluindo a lista dos policiais federais que participaram de reunião sigilosa no Banco Central e duas notas apagadas minutos após escritas, recuperadas na extração, sobre fontes dentro do Bacen e sobre pressionar as cúpulas da PF e da PGR.
De pessoas de dentro do Bacen que são meus amigos e ficaram preocupados
Evidências que este documento sustenta9
- DDocumental diretoA extração do celular de Vorcaro data a nota em que ele pergunta a um interlocutor se este teria proximidade com o juiz federal Ricardo Soares Leite em 16/11/2025, às 15h51min31s — cerca de 19 horas antes de a imprensa revelar, em 17/11/2025 às 11h08, que havia inquérito sobre a compra do Master pelo BRB tramitando na 10ª Vara Federal do DF. O nome do magistrado não fora publicado por veículo nenhum. A defesa de Vorcaro sustentou publicamente que só procurou aquela vara depois da reportagem, porque "desconhecia o número do inquérito e qual dos juízes era responsável por ele". A PF registra ainda que, segundo a análise, a própria reportagem foi construída com participação de Vorcaro, que conversou com o jornalista Diego Escosteguy na véspera e no dia, e recebeu dele o texto já publicado às 11h11min48s — repassando-o ao advogado Walfrido Warde treze segundos depois.
- DDocumental diretoEm maio de 2024, Daniel Vorcaro acionou Luiz Phillipi Mourão para recuperar a conta de Instagram da atriz Monique Alfradique, tomada por terceiros não identificados que, segundo noticiou o Metrópoles em 22/05/2024, publicavam em nome dela e induziam seguidores a fazer pagamentos por PIX. Vorcaro repassou a Mourão os dados de acesso da conta. Mourão respondeu que estava "com os meninos na linha" e que mandara "avisarem esses caras que a turma vai atrás deles. E irei atrás de um por um", relatou em seguida que os invasores desconfiavam que "os meninos" quisessem ficar com o controle da conta, e encaminhou um áudio que atribuiu a eles próprios, resistindo à devolução. Recuperada a conta, ao comentar que várias pessoas diziam ter feito pagamentos por PIX a quem a controlava, Vorcaro escreveu a Mourão: "alinha com o pcc rsrs".
- DDocumental diretoA análise do celular de Daniel Vorcaro identificou estrutura organizada para manipular avaliações públicas e fabricar comentários positivos sobre as empresas sob seu controle — orientações para elevar notas de aplicativos, inserir avaliações favoráveis e produzir interações artificiais, além de comentários elogiosos em redes sociais para ampliar narrativas favoráveis e neutralizar críticas. A prática foi aplicada ao próprio negócio que está no centro do caso: diante de reportagens sobre a tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB, Vorcaro determinou a publicação imediata de múltiplos comentários para transmitir a impressão de que a operação havia sido bem-sucedida, chegando a especificar o teor desejado; Mourão respondeu "Já estão subindo" e enviou captura de tela dos comentários publicados. Em 28/05/2025, Vorcaro pediu especificamente comentários positivos em matéria do portal Metrópoles sobre a negociação.
- IInferênciaA Polícia Federal infere que Luiz Phillipi Mourão mantinha algum tipo de contato, direto ou indireto, com indivíduos ligados a facções criminosas — circunstância que, segundo a corporação, teria viabilizado a interlocução com os autores da invasão da conta de Instagram e a devolução dela.
- DDocumental diretoEm 30/10/2025, Daniel Vorcaro escreveu duas notas no iPhone e as apagou poucos minutos depois; ambas foram recuperadas na extração forense. Na primeira, às 13h13, registrou que viajaria a Abu Dhabi para encontrar um interlocutor não identificado e relatou ter recebido de integrantes do Banco Central a informação confidencial de que "G" — provavelmente Gabriel Galípolo, presidente do BC — e os demais diretores estariam sob forte pressão da PF e do MPF; pediu que o interlocutor reforçasse junto a "Andrei" (provavelmente Andrei Passos Rodrigues, diretor-geral da PF) e "Paulo" (provavelmente Paulo Gonet, procurador-geral da República) a necessidade de impedir que subordinados praticassem "alguma sacanagem", pois "aí vai tudo pro saco". Na segunda, às 13h38, sob o título "De pessoas de dentro do Bacen que são meus amigos e ficaram preocupados", afirmou que essas fontes haviam participado da reunião e que as informações eram "100% confiáveis", acrescentando que não poderia "queimá-los".
- DDocumental diretoEm 17/10/2025, por volta das 09h, a Polícia Federal e integrantes do Banco Central realizaram reunião sigilosa sobre a investigação do Banco Master — procedimento que nascera de comunicações do próprio BC. Quatro dias depois, em 21/10/2025 às 19h08, Daniel Vorcaro registrou no aplicativo "Notas" do seu iPhone a lista nominal dos representantes da PF que estiveram lá: o diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção Dennis Cali, o chefe da Divisão de Repressão a Crimes Financeiros Guilherme Alves de Siqueira, o agente Wilker Goulart, a delegada Janaína — que presidia o inquérito da 1ª fase — e o delegado Britto, da 2ª fase, que participara remotamente. A mesma nota trazia ainda os nomes de três procuradores da República (Ubiratan, Gabriel Pimenta e Guilherme) que sequer estiveram na reunião.
- DDocumental diretoEm 14/10/2024, ao organizar com Daniel Vorcaro a publicação de matérias positivas e negativas sobre alvos, Luiz Phillipi Mourão apontou como primeiro alvo negativo Antônio Augusto Conte, descrevendo-o nos seguintes termos: "desse debil mental do antonio conte que contratou jornalista pra publicar coisa falsa. Drogado e louco, nunca passou nem perto do banco". Vorcaro respondeu "Não solta nada sem me falar. Nao pode ser assim. Deixa que vou produzir um material". Cinco dias depois, em 19/10/2024, Mourão propôs a Vorcaro outra via: "Sobre o conti, eu consegui um negócio para resolver mas preciso do seu ok. Quer que mande interna-lo?? Estou com um dono de uma clínica psi. E clínica de reabilitação. E conseguimos interna-lo com ordem judicial. Só vc (ok)". A Polícia Federal registra que a internação assim obtida aparentaria ser forjada ou irregular, e que não há nos autos resposta de Vorcaro à proposta.
- DDocumental diretoA extração do celular de Daniel Vorcaro registra ordens reiteradas para retirar do ar matérias jornalísticas sobre ele e o Banco Master, com Luiz Phillipi Mourão relatando os resultados ("estão tirando todas do ar", "derrubado", "clean permanente") e enviando listas de links já removidos. Em 11/07/2023, Mourão comunicou a remoção de conteúdo que, pela URL, tratava de conta de ministros do STF em restaurante de luxo em Nova York supostamente paga por um banco — link que a PF confirmou estar fora do ar. Em 03/09/2024, diante de reportagem do Diário do Centro do Mundo sobre processo na CVM contra Vorcaro e o pai, ele escreveu "Tem que derrubar urgente. Derrubar de vez esse blogo. Achei que tinha parceria. E tinhamos comprado os caras."; em seguida Mourão informou que o interlocutor no veículo "vai tentar criar filtro lá dentro, pra não conseguirem subir mais títulos com banco master". Em 10/10/2024, sobre o mesmo site, Vorcaro determinou "Vamos focar na parceria com essa turma. Veja um valor mensal. Não pode sair uma frase com meu nome ou Master"; no dia seguinte, quando Mourão disse que "o pessoal do dcm está perguntando sobre a parceria", Vorcaro respondeu "50K mês?". Há ainda registro de Mourão separando links negativos no Google para derrubá-los enquanto criava conteúdo positivo para ocupar o topo das buscas.
- DDocumental diretoEm 25/07/2025, Daniel Vorcaro escreveu a Luiz Phillipi Mourão que alguém o havia filmado com sua filha e estaria espalhando as imagens na internet, e acrescentou: "Preciso matar esse cara". Mourão perguntou "Quem é? me manda tudo que vc tem ou alguma coisa" e, diante da repetição da frase por Vorcaro, respondeu: "sabe quem é? Vou pra cima".
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- IPJ-A nº 1020625/2026 — análise do celular apreendido com Daniel Vorcaro (e-Doc 4, PET 15.978)Polícia Federal — NADIP/DFIN/CGRC/DICOR/PF · fev/2026Fonte oficial✓ verificadaoriginal ↗