Fonte · Polícia Federal (oficial)
IPJ-A nº 1020625/2026 — análise do celular apreendido com Daniel Vorcaro (e-Doc 4, PET 15.978)
Acesso
Informação de Polícia Judiciária de Análise, de 126 páginas, sobre o conteúdo extraído do iPhone 17 Pro apreendido com Daniel Bueno Vorcaro no cumprimento do mandado de prisão da 1ª fase da Operação Compliance Zero. É o documento-fonte que as representações da PF vinham citando como "IPJ nº 1020625/2026": aqui estão, em primeira mão, os diálogos de WhatsApp entre Vorcaro e Luiz Phillipi Mourão que sustentam os capítulos de acesso indevido a procedimentos sigilosos, uso de violência e coação, articulação com estruturas criminosas, manipulação de perfis em redes sociais, supressão de conteúdo digital e fabricação de avaliações em aplicativos. O capítulo final (4.2) trata do monitoramento de autoridades, da tentativa de influência sobre agentes públicos, da obstrução à Justiça e da hipótese de plano de fuga — e traz material que não aparece em nenhuma outra peça já lida do acervo: as anotações que o próprio Vorcaro mantinha no aplicativo "Notas" do aparelho, algumas apagadas minutos após escritas e recuperadas na extração.
Documento obtido pelo próprio Rafael via certificado digital, parte do download completo da PET 15.978 (378 peças) — mesma política de divulgação aplicada às demais peças. O cabeçalho da IPJ-A traz "Data 19/02/2025", mas o texto cita reportagem de fevereiro de 2026 e fatos de 2025 e 2026: trata-se, ao que tudo indica, de erro de digitação do ano, e por isso a data foi registrada com precisão de mês (fevereiro de 2026), não de dia.
Fonte primária oficial: entra no modo "somente fontes oficiais" do grafo.
Verificação
- Verificada em
- 11/09/2026
- Por
- orquestrador (leitura do sumário e do capítulo 4.2, 126 páginas)
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O que esta fonte sustenta
Evidências
- DDocumental diretoA extração do celular de Vorcaro data a nota em que ele pergunta a um interlocutor se este teria proximidade com o juiz federal Ricardo Soares Leite em 16/11/2025, às 15h51min31s — cerca de 19 horas antes de a imprensa revelar, em 17/11/2025 às 11h08, que havia inquérito sobre a compra do Master pelo BRB tramitando na 10ª Vara Federal do DF. O nome do magistrado não fora publicado por veículo nenhum. A defesa de Vorcaro sustentou publicamente que só procurou aquela vara depois da reportagem, porque "desconhecia o número do inquérito e qual dos juízes era responsável por ele". A PF registra ainda que, segundo a análise, a própria reportagem foi construída com participação de Vorcaro, que conversou com o jornalista Diego Escosteguy na véspera e no dia, e recebeu dele o texto já publicado às 11h11min48s — repassando-o ao advogado Walfrido Warde treze segundos depois.
- DDocumental diretoEm maio de 2024, Daniel Vorcaro acionou Luiz Phillipi Mourão para recuperar a conta de Instagram da atriz Monique Alfradique, tomada por terceiros não identificados que, segundo noticiou o Metrópoles em 22/05/2024, publicavam em nome dela e induziam seguidores a fazer pagamentos por PIX. Vorcaro repassou a Mourão os dados de acesso da conta. Mourão respondeu que estava "com os meninos na linha" e que mandara "avisarem esses caras que a turma vai atrás deles. E irei atrás de um por um", relatou em seguida que os invasores desconfiavam que "os meninos" quisessem ficar com o controle da conta, e encaminhou um áudio que atribuiu a eles próprios, resistindo à devolução. Recuperada a conta, ao comentar que várias pessoas diziam ter feito pagamentos por PIX a quem a controlava, Vorcaro escreveu a Mourão: "alinha com o pcc rsrs".
- DDocumental diretoA análise do celular de Daniel Vorcaro identificou estrutura organizada para manipular avaliações públicas e fabricar comentários positivos sobre as empresas sob seu controle — orientações para elevar notas de aplicativos, inserir avaliações favoráveis e produzir interações artificiais, além de comentários elogiosos em redes sociais para ampliar narrativas favoráveis e neutralizar críticas. A prática foi aplicada ao próprio negócio que está no centro do caso: diante de reportagens sobre a tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB, Vorcaro determinou a publicação imediata de múltiplos comentários para transmitir a impressão de que a operação havia sido bem-sucedida, chegando a especificar o teor desejado; Mourão respondeu "Já estão subindo" e enviou captura de tela dos comentários publicados. Em 28/05/2025, Vorcaro pediu especificamente comentários positivos em matéria do portal Metrópoles sobre a negociação.
- IInferênciaA Polícia Federal infere que Luiz Phillipi Mourão mantinha algum tipo de contato, direto ou indireto, com indivíduos ligados a facções criminosas — circunstância que, segundo a corporação, teria viabilizado a interlocução com os autores da invasão da conta de Instagram e a devolução dela.
- DDocumental diretoEm 30/10/2025, Daniel Vorcaro escreveu duas notas no iPhone e as apagou poucos minutos depois; ambas foram recuperadas na extração forense. Na primeira, às 13h13, registrou que viajaria a Abu Dhabi para encontrar um interlocutor não identificado e relatou ter recebido de integrantes do Banco Central a informação confidencial de que "G" — provavelmente Gabriel Galípolo, presidente do BC — e os demais diretores estariam sob forte pressão da PF e do MPF; pediu que o interlocutor reforçasse junto a "Andrei" (provavelmente Andrei Passos Rodrigues, diretor-geral da PF) e "Paulo" (provavelmente Paulo Gonet, procurador-geral da República) a necessidade de impedir que subordinados praticassem "alguma sacanagem", pois "aí vai tudo pro saco". Na segunda, às 13h38, sob o título "De pessoas de dentro do Bacen que são meus amigos e ficaram preocupados", afirmou que essas fontes haviam participado da reunião e que as informações eram "100% confiáveis", acrescentando que não poderia "queimá-los".
- DDocumental diretoEm 17/10/2025, por volta das 09h, a Polícia Federal e integrantes do Banco Central realizaram reunião sigilosa sobre a investigação do Banco Master — procedimento que nascera de comunicações do próprio BC. Quatro dias depois, em 21/10/2025 às 19h08, Daniel Vorcaro registrou no aplicativo "Notas" do seu iPhone a lista nominal dos representantes da PF que estiveram lá: o diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção Dennis Cali, o chefe da Divisão de Repressão a Crimes Financeiros Guilherme Alves de Siqueira, o agente Wilker Goulart, a delegada Janaína — que presidia o inquérito da 1ª fase — e o delegado Britto, da 2ª fase, que participara remotamente. A mesma nota trazia ainda os nomes de três procuradores da República (Ubiratan, Gabriel Pimenta e Guilherme) que sequer estiveram na reunião.
- DDocumental diretoEm 14/10/2024, ao organizar com Daniel Vorcaro a publicação de matérias positivas e negativas sobre alvos, Luiz Phillipi Mourão apontou como primeiro alvo negativo Antônio Augusto Conte, descrevendo-o nos seguintes termos: "desse debil mental do antonio conte que contratou jornalista pra publicar coisa falsa. Drogado e louco, nunca passou nem perto do banco". Vorcaro respondeu "Não solta nada sem me falar. Nao pode ser assim. Deixa que vou produzir um material". Cinco dias depois, em 19/10/2024, Mourão propôs a Vorcaro outra via: "Sobre o conti, eu consegui um negócio para resolver mas preciso do seu ok. Quer que mande interna-lo?? Estou com um dono de uma clínica psi. E clínica de reabilitação. E conseguimos interna-lo com ordem judicial. Só vc (ok)". A Polícia Federal registra que a internação assim obtida aparentaria ser forjada ou irregular, e que não há nos autos resposta de Vorcaro à proposta.
- DDocumental diretoA extração do celular de Daniel Vorcaro registra ordens reiteradas para retirar do ar matérias jornalísticas sobre ele e o Banco Master, com Luiz Phillipi Mourão relatando os resultados ("estão tirando todas do ar", "derrubado", "clean permanente") e enviando listas de links já removidos. Em 11/07/2023, Mourão comunicou a remoção de conteúdo que, pela URL, tratava de conta de ministros do STF em restaurante de luxo em Nova York supostamente paga por um banco — link que a PF confirmou estar fora do ar. Em 03/09/2024, diante de reportagem do Diário do Centro do Mundo sobre processo na CVM contra Vorcaro e o pai, ele escreveu "Tem que derrubar urgente. Derrubar de vez esse blogo. Achei que tinha parceria. E tinhamos comprado os caras."; em seguida Mourão informou que o interlocutor no veículo "vai tentar criar filtro lá dentro, pra não conseguirem subir mais títulos com banco master". Em 10/10/2024, sobre o mesmo site, Vorcaro determinou "Vamos focar na parceria com essa turma. Veja um valor mensal. Não pode sair uma frase com meu nome ou Master"; no dia seguinte, quando Mourão disse que "o pessoal do dcm está perguntando sobre a parceria", Vorcaro respondeu "50K mês?". Há ainda registro de Mourão separando links negativos no Google para derrubá-los enquanto criava conteúdo positivo para ocupar o topo das buscas.
- DDocumental diretoEm 25/07/2025, Daniel Vorcaro escreveu a Luiz Phillipi Mourão que alguém o havia filmado com sua filha e estaria espalhando as imagens na internet, e acrescentou: "Preciso matar esse cara". Mourão perguntou "Quem é? me manda tudo que vc tem ou alguma coisa" e, diante da repetição da frase por Vorcaro, respondeu: "sabe quem é? Vou pra cima".
Eventos
Nenhum.
Atos públicos
Nenhum.
Pessoas e organizações
Relações derivadas
Nenhuma.