Documento · Relatório oficial
Reconciliação: quatro números para a exposição do Rioprevidência ao Master, e o que cada um mede
Resumo
O acervo registrava três cifras para o mesmo caso — R$ 970 milhões, 'quase R$ 3 bilhões' e R$ 3,7 bilhões — sem explicar a diferença. Este documento reconstrói a linha do tempo e mostra que as duas primeiras se explicam por escopo temporal e as duas últimas continuam sem explicação encontrada. Base: R$ 970 milhões é o núcleo original, nove operações em Letras Financeiras entre novembro de 2023 e julho de 2024, objeto da Operação Barco de Papel (deflagrada em 23/01/2026, com prisão de Deivis Marcon Antunes, diretor-presidente). A partir de dezembro de 2024, mesmo após alertas do TCE-RJ (maio e outubro de 2025), o fundo abriu uma segunda frente, agora em cotas de fundos de investimento administrados pelo próprio grupo Master, não mais em títulos diretos: o fundo Arena (R$ 50 milhões iniciais em 19/12/2024, mais de R$ 1 bilhão acumulado, rentabilidade média de 4,05% contra 9,31% do CDI), o fundo Revolution (mais de R$ 100 milhões em dois aportes de março de 2025) e o fundo Texas (R$ 100 milhões em junho de 2025, reduzidos a R$ 75,751 milhões em um mês), além de mais R$ 301 milhões em três letras financeiras adicionais, 'sem qualquer transparência', também em março de 2025. Levantamento do TCE-RJ, de 25/11/2025, somava essa segunda frente a R$ 2,6 bilhões de exposição total ao Master até aquela data. Em 26/05/2026, na 8ª fase da Compliance Zero, a Polícia Federal reapurou a mesma segunda frente e chegou a R$ 2,01 bilhões — que, somados ao R$ 970 milhões original, dão 'cerca de R$ 3 bilhões', número compatível com o crescimento natural dos R$ 2,6 bilhões do TCE seis meses antes. Nesse mesmo dia, porém, a decisão do STF que autorizou a busca na casa de Cláudio Castro cita estimativa da PGR de R$ 3,7 bilhões — R$ 700 milhões acima da conta da própria PF, sem que nenhuma fonte consultada explique a origem da diferença. Fica registrada a hipótese mais provável, não confirmada: a PGR pode incorporar juros e correção monetária acumulados sobre os R$ 970 milhões, já reconhecidos por decisão judicial de dezembro de 2025, ou projeções de perda que a PF não soma ao principal. Distinto de tudo isso é o número de R$ 6,5 bilhões, de auditoria extraordinária do TCE-RJ relatada por José Gomes Graciosa: cobre não só o Master, mas também o Banco Genial (que apenas custodia títulos públicos do Rioprevidência, sem exposição de crédito), a Mirae Asset e o Banco Digimais — não deve ser somado nem comparado diretamente às cifras específicas do Master.
Evidências que este documento sustenta10
- DDocumental diretoO valor de R$ 6,5 bilhões, de auditoria extraordinária do TCE-RJ relatada por José Gomes Graciosa, não é específico do Banco Master: cobre também o Banco Genial — cuja relação com o Rioprevidência é de mera custódia de títulos públicos federais, sem exposição de crédito —, a Mirae Asset e o Banco Digimais, cuja natureza de relação com o fundo o Tribunal não detalhou publicamente.
- AAlegaçãoA Cedae afirmou que a movimentação financeira no Banco Master esteve de acordo com suas políticas de investimento, governança e compliance.
- DDocumental diretoSegundo a mesma auditoria do TCE-RJ, a Cedae investiu cerca de R$ 237 milhões no Banco Master — valor mais preciso e ligeiramente superior aos R$ 200 milhões atribuídos à estatal pela proposta de colaboração de Vorcaro revelada em 10/09/2026.
- DDocumental diretoDecisão judicial de dezembro de 2025 determinou a retenção de cerca de R$ 970 milhões, acrescidos de juros e correção monetária, referentes aos valores investidos pelo Rioprevidência no Master, via descontos de empréstimos consignados que seriam repassados ao banco — mecanismo pelo qual a autarquia projeta liquidar o investimento em cerca de dois anos.
- IInferênciaA diferença de R$ 700 milhões entre a estimativa de 'cerca de R$ 3 bilhões' da própria Polícia Federal e a estimativa de R$ 3,7 bilhões da PGR, ambas de 26/05/2026, mais provavelmente decorre de a PGR incluir juros e correção monetária acumulados sobre o núcleo de R$ 970 milhões já reconhecidos por decisão judicial, ou projeções de perda que a conta da PF não soma ao principal aplicado.
- DDocumental diretoO Rioprevidência aportou R$ 100 milhões no fundo Texas, administrado pelo Banco Master, em junho de 2025; em um mês, segundo o TCE, o valor da cota caiu para R$ 75.751.000,00 — perda de cerca de um quarto.
- CCorroboradoLevantamento do Ministério da Previdência até fevereiro de 2026, citado pela CNN, aponta 19 entes federativos com aplicações no Banco Master — um a mais que os dezoito do levantamento de 19/11/2025 que baseou a abertura desta frente investigativa; o décimo nono ente não foi nomeado na reportagem nem localizado pela equipe em outra fonte.
- DDocumental diretoO núcleo original da exposição do Rioprevidência ao Banco Master são R$ 970 milhões aplicados em letras financeiras, em nove operações entre novembro de 2023 e julho de 2024, objeto da Operação Barco de Papel, deflagrada em 23/01/2026.
- DDocumental diretoA partir de dezembro de 2024, mesmo após alertas do TCE-RJ, o Rioprevidência abriu uma segunda frente de aportes em cotas de fundos de investimento administrados pelo grupo Master — os fundos Arena, Revolution e Texas, mais três letras financeiras adicionais —, que a auditoria do TCE somava, em 25/11/2025, a R$ 2,6 bilhões de exposição total ao banco.
- DDocumental diretoO TCE-RJ alertou o Rioprevidência sobre a concentração de recursos no Banco Master em maio de 2025, repetiu a cobrança em outubro, e diante da continuidade dos aportes determinou tutela inibitória proibindo novos investimentos em produtos do banco.
Onde este documento é usado
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